UM AGENTE VERÍDICO DE TRANSFORMAÇÃO

Aos poucos, a agenda ESG é incorporada pelas empresas que transformam a concepção de produtos, geram engajamentos e criam padrões de comportamento com reflexos no consumidor e na sociedade

Por Tempo de leitura: 13 minutos

UMA NOVA VISÃO DE MUNDO. Assim podemos definir os benefícios trazidos pela agenda ESG (Environment, Social and Governance, em português Meio Ambiente, Social e Governança), tanto para as empresas como para a sociedade e, de forma mais ampla, ao planeta.

As ações em prol dessas três linhas são fundamentais para algo que as empresas hoje buscam a todo custo: ser um real agente de transformação e, consequentemente, criar laços ainda mais profundos com o consumidor.

O personagem principal para essa mudança é o consumidor moderno, que está cada vez mais consciente da importância de preservar o planeta e preza por ações que minimizem os impactos nocivos ao meio ambiente. As empresas de diversos segmentos ouviram o chamado e têm dedicado esforços para contribuir com o bem-estar coletivo e a sustentabilidade.

O que era um desafio para as marcas foi transformado em oportunidades de conquistar consumidores influentes e torná-los fiéis à marca. “Nos últimos anos, houve uma mudança de mentalidade no corpo social. As pessoas conseguiram pensar e refletir sobre qual é o papel das organizações em um mundo com mudanças acentuadas como as que estamos vivendo”, diz Jacques Meir, diretor-executivo de Conhecimento do Grupo Padrão, que lidera um trabalho realizado em parceria com a consultoria GfK que dará origem a um ranking de empresas ESG no Brasil.

Esse comportamento mais solidário e responsável tem sido muito estimulado pela geração denominada nativa digital e chegou às mesas dos executivos e tomadores de decisão, que discutem a execução de ações para cumprir com o seu papel. “Isso passou a ser determinante para a sobrevivência corporativa, tanto como estratégia de negócios quanto como oportunidade de ampliar valores presentes no DNA das corporações”, comenta Meir.

E, ainda que a evolução humana clame por tecnologia, temos a urgente obrigação de focar forças para atender às necessidades do nosso ecossistema. A poluição por carbono, por exemplo, alcançou níveis extremos e são necessárias ações imediatas, rápidas e de grande escala para reduzir as emissões de efeito estufa, aponta o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgado em agosto de 2021.

Trabalhar em prol do planeta e da sociedade é algo que hoje tem adquirido um valor ainda mais especial. Afinal, é uma questão de sobrevivência no mercado: as empresas que investem ativamente em prol da humanidade e de soluções sustentáveis ao planeta não só são mais notáveis como também contribuem como um papel social importante e cobrado pelo consumidor nos últimos anos.

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O “E” no ESG

A importância hoje de encontrar formas mais sustentáveis é mais nítida e clara do que nunca: o planeta tem dado sinais de que não terá condições de oferecer tudo aquilo que consumimos. Embora cultivá-lo seja um dever de todos e todas, as empresas acabam tendo um papel ainda mais importante, uma vez que consomem muitos produtos limitados do planeta, da mesma forma como devolvem agentes tóxicos (o CO2 é um exemplo).

 

“Menos desigualdade social, mais cuidado e menos impacto negativo ao meio ambiente e, claro, processos mais objetivos e transparentes de iniciativas que incentivam boas práticas constroem marcas mais fortes, confiáveis, com valor agregado percebido diretamente por quem consome seus serviços ou produtos”, explica José Félix, presidente da Claro. 

 

É um caminho sem volta. Ao construírem versões mais ecológicas, as empresas se tornam verdadeiras agentes de transformação. “Mais que indicadores que medem o compromisso das empresas com o meio ambiente, a governança e o social, a necessidade de olharmos com afinco para o ESG está diretamente ligada à sobrevivência das corporações, que passaram a ser vistas não mais como apenas um dos ‘players’ de mercado, mas, sim, como responsáveis diretas pela construção de uma sociedade melhor”, completa.

Hoje, na PepsiCo Brasil, são 19% de pessoas negras e 47% de mulheres em cargos de liderança. No comitê executivo, 60% são mulheres

Cientes do impacto que causam ao meio ambiente, as marcas têm contribuído de forma crescente e mais ativa para a prática de ações sustentáveis, cada uma à sua maneira. A Mondelēz, por exemplo, tem inúmeras iniciativas de diversidade com a equipe interna, mas o que realmente se destaca na agenda ESG da empresa é a produção da matéria-prima de todo o negócio: o cacau.

“Temos um projeto chamado Cocoa Life, que tem como objetivo criar comunidades agrícolas de cacau empoderadas e prósperas, por meio da capacitação dos agricultores com foco na sustentabilidade, no reflorestamento e na rentabilidade do cultivo, garantindo o futuro do chocolate. Atualmente, contamos com 800 produtores registrados, que, graças aos incentivos do programa, tiveram acesso a crédito financeiro por meio do PRONAF – Floresta para impulsionar os seus negócios”, explica Maria Claudia, diretora de Assuntos Corporativos e Governamentais da Mondelēz. 

Segundo ela, de 2012 a 2022, a empresa fará um investimento total de R$10 milhões do Cocoa Life no Brasil, que ajudará a transformar mil hectares de áreas de pastagem em agrofloresta de cacau, reestruturar 750 hectares de fazendas de cacau com novo manejo agroecológico do solo, restaurar 500 hectares de mata ciliar e ampliar em 50% o número de produtores, famílias e trabalhadores indiretos beneficiados pelo programa no País. “Estamos fazendo isso porque é o certo, pensando no futuro e na preservação do nosso planeta, enquanto garantimos a melhor experiência para os nossos consumidores, com produtos de qualidade e feitos da maneira certa em todos os sentidos”, completa. 

No setor de higiene e cosméticos, a Unilever também investiu em formas cada vez mais sustentáveis de contribuir com o planeta – tanto em sua própria cadeia de produção quanto em prol da comunidade. “Em 2020, anunciamos os compromissos do projeto ‘Futuro Limpo’, que teve investimento global de € 1 bilhão para promover o fim do uso de substâncias químicas derivadas de combustíveis fósseis até 2030. Estamos revisitando todo o nosso portfólio para oferecer ao consumidor produtos de limpeza e lavanderia sustentáveis e ao mesmo tempo mais acessíveis. O ‘Futuro Limpo’ adota como estratégia os princípios da economia circular nas fórmulas e embalagens dos produtos para reduzir a pegada de carbono”, explica Juliana Marra, gerente sênior de Assuntos Externos da Unilever. 

 

JOSÉ FÉLIX,
presidente da Claro

LUCIANA NICOLA,
superintendente de Relações Institucionais, Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú Unibanco

LUCIO VICENTE,
diretor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade do Grupo Carrefour Brasil

Cientes do impacto que causam ao meio ambiente, as marcas têm contribuído de forma crescente e mais ativa para a prática de ações sustentáveis, cada uma à sua maneira. A Mondelēz, por exemplo, tem inúmeras iniciativas de diversidade com a equipe interna, mas o que realmente se destaca na agenda ESG da empresa é a produção da matéria-prima de todo o negócio: o cacau.

“Temos um projeto chamado Cocoa Life, que tem como objetivo criar comunidades agrícolas de cacau empoderadas e prósperas, por meio da capacitação dos agricultores com foco na sustentabilidade, no reflorestamento e na rentabilidade do cultivo, garantindo o futuro do chocolate. Atualmente, contamos com 800 produtores registrados, que, graças aos incentivos do programa, tiveram acesso a crédito financeiro por meio do PRONAF – Floresta para impulsionar os seus negócios”, explica Maria Claudia, diretora de Assuntos Corporativos e Governamentais da Mondelēz. 

Segundo ela, de 2012 a 2022, a empresa fará um investimento total de R$10 milhões do Cocoa Life no Brasil, que ajudará a transformar mil hectares de áreas de pastagem em agrofloresta de cacau, reestruturar 750 hectares de fazendas de cacau com novo manejo agroecológico do solo, restaurar 500 hectares de mata ciliar e ampliar em 50% o número de produtores, famílias e trabalhadores indiretos beneficiados pelo programa no País. “Estamos fazendo isso porque é o certo, pensando no futuro e na preservação do nosso planeta, enquanto garantimos a melhor experiência para os nossos consumid Ainda que muita gente sempre destaque o uso de produtos químicos, o uso da água e a emissão de gases nocivos à atmosfera, a energia limpa também tem sido uma pauta de atenção. A Claro é uma das empresas que reprogramaram suas atividades em prol de uma energia mais sustentável: “A Claro é a líder no setor de Telecom na produção de energia limpa no País. O ‘A Energia da Claro’ é considerado, segundo dados da ANEEL, o maior programa de geração de energia distribuída no Brasil. Atualmente, possui 53 usinas em operação, distribuídas por praticamente todos os Estados e grande presença em Minas Gerais e na região Nordeste. Além disso, as usinas abastecem 20 mil unidades consumidoras da Claro e já geram energia limpa equivalente ao consumo de 240 mil residências, o suficiente para atender a uma cidade como Araras (SP) ou Valinhos (SP)”, comenta José Félix.

Para o ramo gastronômico de fast-food, uma das maiores empresas do mundo também repensou em como adotar ações mais sustentáveis em sua cadeia de produção, compra e venda. A Arcos Dorados, mantenedora do McDonald’s no Brasil, notou que era papel dela contribuir com a quantidade de plástico nos oceanos e no meio ambiente. “Desde 2018, a Arcos Dorados conta com um programa para redução de plásticos de um único uso, que já soma ações como a substituição das embalagens de plástico de saladas por outras fabricadas com papel cartonado certificado, redução do uso de tampas de plástico para bebidas e sobremesas, fim da entrega proativa de canudos, entre outras”, explica Mariana Scalzo, diretora de Comunicação Corporativa da Divisão Brasil da Arcos Dorados. No caso específico do McDonald’s, eles notaram que as ações da empresa precisavam ir além de um investimento no meio ambiente.

ores, com produtos de qualidade e feitos da maneira certa em todos os sentidos”, completa. 

No setor de higiene e cosméticos, a Unilever também investiu em formas cada vez mais sustentáveis de contribuir com o planeta – tanto em sua própria cadeia de produção quanto em prol da comunidade. “Em 2020, anunciamos os compromissos do projeto ‘Futuro Limpo’, que teve investimento global de € 1 bilhão para promover o fim do uso de substâncias químicas derivadas de combustíveis fósseis até 2030. Estamos revisitando todo o nosso portfólio para oferecer ao consumidor produtos de limpeza e lavanderia sustentáveis e ao mesmo tempo mais acessíveis. O ‘Futuro Limpo’ adota como estratégia os princípios da economia circular nas fórmulas e embalagens dos produtos para reduzir a pegada de carbono”, explica Juliana Marra, gerente sênior de Assuntos Externos da Unilever. 

 

O “S” no ESG

Para além de investir no ecossistema – o que de fato é importante –, ser um agente transformador envolve, por parte das empresas, ter ações voltadas para as pessoas: os principais responsáveis pela mudança verdadeira. “Sabemos que o desemprego juvenil é um dos maiores problemas da América Latina e do Caribe. Decidimos agir proporcionando oportunidades e propagando boas práticas nas comunidades onde atuamos”, continua Scalzo. “Assim, nos tornamos o maior empregador jovem da América Latina e do Caribe: 68% de nossos funcionários são jovens de até 24 anos. No Brasil, 70% têm menos de 24 anos e estão em sua primeira experiência profissional”, completa.

Ainda que tenha essa forte vertente, o McDonald’s é apenas uma das grandes corporações que, com o passar dos anos, levaram consigo uma lição importante: o ESG verídico, que tem como objetivo uma transformação na maneira de encarar os negócios, só pode ser feito quando há uma mudança de cultura – que vem de dentro para fora.

 

A captação líquida dos fundos ligados ao ESG foi de R$ 107 milhões no fim de 2019 para R$ 4,43 bilhões no fim de 2020, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima)

Alexandre Carreteiro, presidente da PepsiCo Brasil Alimentos, entende que, além da contribuição ao planeta por meio da redução de plástico, foi necessário ter uma mudança interna para entender, de fato, quais são as necessidades sociais que podem ser atendidas pelas empresas. “Na PepsiCo, a busca por equidade e diversidade está no centro de tudo o que fazemos, tanto dentro como fora da companhia. Gosto de dizer que o que leva à transformação é a ação. Temos isso como premissa. A equidade nos guia em metas robustas como, por exemplo, a de alcançar pelo menos 50% de mulheres e 30% de pessoas negras em cargos de liderança até 2025. Hoje, na PepsiCo Brasil, temos 19% de pessoas negras e 47% de mulheres em cargos de liderança. No nosso comitê executivo já temos 60% de mulheres”, explica. 

E foi essa a mudança necessária para que a transformação fosse de dentro para fora. “Recentemente, divulgamos o investimento de R$ 16,5 milhões nas comunidades brasileiras por meio de projetos de impacto social e ambiental pelos próximos dois anos, beneficiando mais de 2 milhões de pessoas.  A ação será dividida em três pilares: Prosperidade Econômica, Segurança Alimentar e Acesso à Água. Para isso, a companhia firmou parceria com cerca de 20 organizações não governamentais com foco em fomentar o empreendedorismo de pessoas negras e de mulheres; formar jovens profissionais das periferias; ter iniciativas de preservação de recursos hídricos e de acesso à água em regiões de risco hídrico no Nordeste e, também, combater a fome e a desnutrição infantil”, argumenta Carreteiro. 

JULIANA MARRA,
gerente sênior de Assuntos Externos da Unilever

ALEXANDRE CARRETEIRO,
presidente da PepsiCo Brasil Alimentos

FABIO ITANO,
diretor de Estratégia da Telhanorte Tumelero

Esse mesmo pensamento também é compartilhado pela empresa M. Dias Branco, mantenedora da Vitarella, Piraquê, Adria, Fortaleza e Isabela. Após planejamento interno, surgiu a necessidade de contribuir com a comunidade. “Nós mantemos uma forte relação com as comunidades do entorno por meio da realização de projetos sociais via leis de incentivo, doação de alimentos, bens e equipamentos, além das ações de voluntariado corporativo. Realizamos iniciativas de engajamento com comunidades do entorno em 100% de nossas unidades industriais, apoiando cerca de 150 instituições em 17 Estados do Brasil, reconhecidas pelo seu trabalho relevante com populações carentes”, explica Andréa Nogueira, diretora de Gente, Gestão e Sustentabilidade da M. Dias Branco.

Mudar a cultura é fundamental, portanto, para tornar as empresas não apenas transformadoras da sociedade, mas também intrinsicamente conectadas com o consumidor. 

“As pessoas estão cada vez mais conscientes sobre o impacto das empresas no meio ambiente, a contribuição na sociedade e o quanto cada organização reflete sobre diversidade em sua estrutura. Todavia, mais importante do que divulgar as ações, que endereçam ESG aos colaboradores e ao mercado, é garantir que haja resultados consistentes, mensuráveis e que gerem impacto”, destaca Fabio Itano, diretor de Estratégia da Telhanorte Tumelero. 

O Carrefour tem oito compromissos que se ramificam em mais de 70 iniciativas de combate ao racismo

Para além de investir no ecossistema – o que de fato é importante –, ser um agente transformador envolve, por parte das empresas, ter ações voltadas para as pessoas: os principais responsáveis pela mudança verdadeira. “Sabemos que o desemprego juvenil é um dos maiores problemas da América Latina e do Caribe. Decidimos agir proporcionando oportunidades e propagando boas práticas nas comunidades onde atuamos”, continua Scalzo. “Assim, nos tornamos o maior empregador jovem da América Latina e do Caribe: 68% de nossos funcionários são jovens de até 24 anos. No Brasil, 70% têm menos de 24 anos e estão em sua primeira experiência profissional”, completa. Ainda que tenha essa forte vertente, o McDonald’s é apenas uma das grandes corporações que, com o passar dos anos, levaram consigo uma lição importante: o ESG verídico, que tem como objetivo uma transformação na maneira de encarar os negócios, só pode ser feito quando há uma mudança de cultura – que vem de dentro para fora. A Telhanorte também é uma das empresas que transformaram sua comunidade a partir do reconhecimento da necessidade de um quadro de colaboradores mais diverso. “Para acompanhar as ações, temos uma governança interna, que conta com a participação do CEO, de toda a Diretoria e dos responsáveis por cada área. Este time se reúne mensalmente para discutir as evoluções das iniciativas. Em termos de diversidade, temos cerca de 40% do quadro de funcionários composto por mulheres, do qual 35% ocupam cargos de liderança, sendo três diretoras”, completa. Afinal, investir nos colaboradores é o primeiro passo para uma mudança externa significativa, de acordo com Quintin Testa, diretor-geral da Verallia na América do Sul. “Para propiciar um local de trabalho inclusivo, selecionamos dois indicadores principais iniciais. Em primeiro lugar, aumentar o índice de igualdade de gênero. Existem cinco indicadores para este índice, não é só salário. É também promoção, aumento salarial após a licença-maternidade e é também as dez maiores remunerações dentro de cada uma das empresas. É suficientemente equilibrado entre diferentes indicadores para ser consistente”, explica. Quintin destaca, também, que a pauta ESG tem uma conexão importante entre cada uma de suas frentes, ou seja, sem o E, o S não funciona e vice-versa. “Nós acreditamos que, para colocar isso em prática, precisamos começar de dentro para fora. Os colaboradores nada mais são do que um reflexo da sociedade. Por isso, trabalhamos internamente a educação ambiental. Desde a entrada dos colaboradores na fábrica, são abordados a reciclagem, todos os propósitos e as ações a respeito do tema.”

Ações que compõem o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE)

Acidentes, crimes e situações constrangedoras podem ser pontos de partida para reconhecer a importância da mudança. Foi exatamente isso que o Carrefour sentiu após um episódio em uma de suas lojas em Porto Alegre (RS).

“Hoje, estamos trabalhando de forma expressiva com oito compromissos que se ramificam em mais de 70 iniciativas de combate ao racismo com nossos colaboradores, clientes e fornecedores. Acreditamos que é possível impactar positivamente a sociedade, engajando parceiros nesses esforços e estimulando mudanças em todas as etapas da cadeia de fornecimento”, explica Lucio Vicente, diretor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade do Grupo Carrefour Brasil. 

Situações como essa expandem a necessidade de ter um olhar humano mais que urgente e contribuem para uma sociedade melhor. “Não é à toa que possuímos, além de uma estrutura fixa e robusta de Diversidade e Inclusão, grupos de afinidades que discutem e propõem práticas e soluções para seguir avançando em temas como equidade de gênero e racial, combate ao racismo, promoção e respeito aos direitos das pessoas LGBTQIA+ e criação de um ambiente mais acessível e respeitoso para pessoas com deficiência.”

 

O “G” no ESG

Menos nos holofotes, o G dentro do ESG é um dos menos comentados em toda a agenda. No entanto, trata-se também da parte mais importante: a Governança é a principal forma de colocar todos os objetivos em prática – financeiramente falando. Afinal, para além de falar sobre as ações das empresas, é preciso mensurar o impacto que as mudanças têm representado ao planeta. E isso pode ser visto em números: a captação líquida dos fundos ligados ao ESG foi de R$ 107 milhões no fim de 2019 para R$ 4,43 bilhões no fim de 2020, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). 

É também a governança a responsável pela manutenção das ações de forma interna e externa. Mais do que promover soluções a determinados problemas socioambientais, por exemplo, é preciso garantir que o valor monetário investido neles possa ser revertido às áreas com melhor desenvolvimento.

“O cenário de pandemia deixou ainda mais evidente a necessidade de uma agenda positiva. Estamos em um momento-chave de transformação, que foi impulsionada também pela Covid-19, pois a pandemia ajudou a mostrar à sociedade – e aqui incluo as empresas –, de forma mais contundente, seus impactos individuais e suas responsabilidades na superação dos desafios econômicos. Aí é que está a importância do ESG; usar a expertise de negócio para contribuir positivamente com a sociedade”, explica Luciana Nicola, superintendente de Relações Institucionais, Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú Unibanco.

O montante ligado ao ESG deve atingir, em todo o mundo, US$ 53 trilhões em 2025. Somente em 2020, foram US$ 38 milhões, segundo dados da Bloomberg

Especificamente nessa parte mais financeira, os investimentos relacionados de alguma forma ao ESG são cada vez mais expressivos. Há, inclusive, um Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), criado em 2005 pela Bolsa de Valores Brasileira. Ele é composto por 36 ações de 30 empresas sob a melhor performance de ESG. Em 2020, 37,62% de todo o valor acionário do Brasil estava englobado no ISE, de acordo com dados da B3. Dentro do ISE, as empresas que contribuem com ações são: Banco do Brasil, Bradesco, BR Distribuidora, BRF, Braskem, B2W, CCR, Cielo, Cemig, Copel, Duratex, EcoRodovias, Eletrobras, Engie, Itaúsa, Itaú Unibanco, Klabin, Lojas Americanas, Movida, MRV, Natura, Santander, AES Tietê, Tim, Telefônica Brasil e WEG. 

Em um pensamento mais voltado a nível mundial, os números surpreendem. Dados da Bloomberg mostram que, hoje, o mercado de ESG está estimado em mais de US$ 30 trilhões, sendo 2020 um dos anos com maior crescimento, devido às ações e consequências da pandemia. Mas ainda que toda a população do planeta seja vacinada e que possamos, com esperança, vencer o vírus, os investimentos no ESG não serão reduzidos. A percepção de que a governança dentro das empresas precisa ser trabalhada para uma contribuição em prol do todo despertou e não irá reduzir nos próximos anos. Não à toa, a Bloomberg estima, para 2025, que o setor movimente US$ 53 trilhões.

E justamente essa percepção evidenciada pela pandemia trouxe uma série de ações conjuntas entre as empresas – até mesmo quando são concorrentes. É unânime: ainda que haja interesse financeiro ou corporativo, trabalhar em prol da sociedade e do meio ambiente é uma pauta em comum pela qual vale a pena lutar.

“No Itaú, dizemos que já passou a fase de ‘compensar os débitos’ e agora vivemos a de ‘gerar créditos’, ou seja, usamos o core business para promover impacto positivo na sociedade”, explica Nicola. O Itaú inclusive se juntou a seus concorrentes para realizar uma ação ambiental. “O Plano Amazônia, iniciativa em que nós e dois concorrentes, o Bradesco e o Santander, fizemos, é uma prova de que nos unimos em prol do desenvolvimento sustentável da região”, complementa.

No fim, nota-se que a governança é o elo impulsionador para que o “E” e o “S” possam funcionar e, além das transformações benéficas em prol do planeta e das pessoas, também trazer essa conexão tão forte com o consumidor. 

“Estamos vivenciando uma mudança significativa na percepção sobre o papel das empresas na sociedade, que se intensificou com o contexto de pandemia. Hoje, todos os stakeholders esperam e cobram uma postura positiva, seja em ações sociais, seja em linhas de negócio. Vivemos uma época de grandes transformações, e é natural que haja expectativa de que as empresas se transformem rapidamente”, conclui Nicola.

 

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