Os primeiros anos de vida do 5G na vida do consumidor

Muita coisa vai mudar na vida do consumidor a partir do 5G: teremos carros conectados, realidade virtual, internet das coisas e muito mais. Mas nem tudo vai mudar do dia para a noite

Por Tempo de leitura: 12 minutos

Se tudo acontecer dentro do cronograma da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o consumidor brasileiro será finalmente apresentado à conexão de internet 5G em julho de 2022. Os clientes que moram nas capitais brasileiras e no Distrito Federal serão os primeiros. As demais cidades do País com até 50 mil pessoas terão acesso à tecnologia até o fim de 2028.
A grande maioria dos consumidores vai contratar o 5G a partir das conhecidas Claro, Vivo e Tim ou por meio da novís­sima Winity Telecom. Elas já prometem entregar uma velocidade 20 vezes maior que o 4G e uma latência (o tal delay) de quase zero, algo que já anima os consumidores – especialmente aqueles que adoram uma novidade, os tais early adopters.
No entanto, existe uma dúvida que paira na vida de alguns consumidores mais céticos. Afinal, o que efetivamente vai mudar na vida do consumidor? A resposta é que ele será o ponto de partida para um novo paradigma de relações de consumo.

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Evolução

Para entender o verdadeiro impacto do 5G na vida atual do consumidor, é preciso voltar no tempo e refletir sobre o que mudou na vida das pessoas com o 4G, segundo explica Basílio Perez, conselheiro e ex-presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).
A rede 3G ou de terceira geração massificou a era da informação no mundo. Na prática, passamos a acessar e-mails, redes sociais, mensagens instantâneas e até tirar dúvidas no Google, entre outras coisas. E tudo via smartphones.
Com o 4G, o mundo experimentou uma comunicação ainda mais sofisticada e robusta. Fizemos ligações a partir de pulsos de dados de internet (algo que era possível apenas a partir da telefonia tradicional), além de entrarmos em uma era de áudios e vídeos. “A internet de quarta geração ainda viabilizou ideias como a geolocalização em tempo real, o que tornou possível negócios como Uber, Waze e iFood – hoje praticamente indispensáveis à vida do consumidor”, explica Perez.

O leilão do 5G

Com o 5G, as expectativas de empresas, do consumidor e do Poder Público são ainda maiores. No leilão promovido pela Anatel, por exemplo, foram arrecadados R$ 47,2 bilhões, o maior valor desde o leilão da camada pré-sal.
Além disso, o mundo vive uma corrida pela adoção da tecnologia. O Ericsson Mobility Report, um dos mais celebrados estudos sobre conectividade do mundo, projeta que 580 milhões devem assinar o 5G até o fim do ano. O mesmo levantamento aponta para um crescimento expressivo da conexão de quinta geração: o mundo vai romper a barreira de 3,5 bilhões de assinaturas 5G em cinco anos, o que representa 60% de alcance à população. Na América Latina, a tecnologia responderá por 34% das assinaturas móveis até 2026.
No Brasil, o plano da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é que o 5G comece a ser oferecido para o consumidor nas capitais e no Distrito Federal antes de 31 de julho de 2022. No entanto, especialistas afirmam que a tecnologia deverá realmente chegar ao mercado entre setembro e outubro.

 

O primeiro dia do 5G

Mas o que efetivamente o consumidor vai fazer com uma internet tão rápida e com baixa latência? O primeiro contato, segundo especialistas ouvidos pela Consumidor Moderno, poderá ser um pouco frustrante. E a culpa não é da tecnologia: poucos dispositivos, inclusive celulares, estarão aptos para o 5G.
“As pessoas citam a velocidade altíssima do 5G, mas isso será pouco impactante para o usuário em si em um primeiro momento. Se você estiver no WhatsApp, por exemplo, o tempo para receber uma mensagem ou baixar um vídeo ou áudio será quase imperceptível para o usuário se comparado com a conexão 4G. Ele terá uma percepção parecida com o mundo de hoje”, explica Perez.
O mesmo deverá acontecer com os serviços de filmes, séries e músicas por plataformas de streaming. A via pela qual trafegam os dados de serviços como Netflix e Spotify, em certa medida, lembra uma rodovia: cada uma tem um limite de velocidade, não sendo, no caso do streaming, possível “correr” acima do permitido pela via. O limite está baseado nas velocidades alcançadas pelo 4G.
“E tem mais: pessoas precisarão trocar os smartphones. Somente os mais recentes, que são caros, estão adaptados para o 5G”, explica Perez.

 

As primeiras mudanças

Mas, então, o 5G será inútil no primeiro dia? Não neces­sariamente. Vão existir momentos em que o consumidor terá uma pequena amostra da capacidade da internet de quinta geração. Será possível, por exemplo, atualizar um sistema operacional do smartphone fora de casa – o que não é recomendado com a internet 4G, principalmente pelo grande volume de dados envolvidos.
A verdadeira revolução do 5G vai começar a partir de serviços ou produtos que explorem o potencial da velocidade de quinta geração, assim como ocorreu com o Uber e o iFood na velocidade 4G. E o mais importante é que isso não vai demorar muito para acontecer.
Outro estudo, desta vez produzido pela consultoria Omdia, aponta que o 5G deverá gerar um crescimento de 1 ponto percentual por ano ao PIB brasileiro até 2035. Para o ministro das Comunicações, Fábio Faria, a projeção é ainda maior: um incremento de 2% ao ano no PIB do País nos próximos anos.
“O mundo ainda está começando a desenvolver negócios com base no 5G. Com algumas poucas exceções, ainda não vemos modelos de negócios robustos baseados na tecnologia. Por outro lado, penso que as oportunidades são imensas na construção de negócios”, defende Christian Gebara, presidente da Vivo.

 

As pessoas citam a velocidade altíssima do 5G, mas isso será pouco impactante para o usuário em si em um primeiro momento. Se você estiver no WhatsApp, por exemplo, o tempo para receber uma mensagem ou baixar um vídeo ou áudio será quase imperceptível para o usuário se comparado com a conexão 4G.

Basílio Perez, conselheiro e ex-presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint)

“O mundo ainda está começando a desenvolver negócios com base no 5G. Com algumas poucas exceções, ainda não vemos modelos de negócios robustos baseados na tecnologia. Por outro lado, penso que as oportunidades são imensas na construção de negócios”

Christian Gebara, presidente da Vivo

Primeira revolução: a comunicação

Na avaliação de especialistas, a primeira grande mudança na vida do consumidor é na área de comunicação – indústria que deve fomentar os primeiros novos negócios e ideias.
Ao que tudo indica, o mundo deve deixar de lado a comunicação por texto e deve intensificar o uso de vídeos e áudio. No 4G, embora fosse possível conversar com alguém por videoconferência, a experiência quase sempre era ruim: baixa qualidade da imagem, conexão que trava, entre outros gargalos. Com o 5G, em tese isso seria solucionado.
No 4G, estima-se que o atraso possui uma variação entre 30 e 70 milissegundos. No 5G, além da velocidade 20 vezes superior ao 4G, o delay é quase nenhum (mais precisamente 1 milissegundo). Isso viabilizaria a chamada de vídeo na rua.
Em abril deste ano, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Fábio Faria fizeram uma demonstração da capacidade do 5G justamente em uma ligação de vídeo com a internet de quinta geração. O resultado foi animador: a comunicação foi fluida e não “travou” em nenhum momento.
O uso do vídeo abre uma série de possibilidades, inclusive à indústria de contact center ou às empresas de tecnologias que

trabalham com customer experience. O SAC poderia ser por vídeo, o que ajudaria o consumidor a resolver pequenas dúvidas de uma maneira mais visual, ou por áudio via aplicativos de mensagens, tais como o WhatsApp, Telegram e outros.
“Com mais velocidade, passaremos a ter uma experiência do consumidor baseada em interações com vídeos. Hoje, a largura de banda nos principais contact centers ou mesmo no cliente final é um problema. Quando alguém abre um vídeo, a conexão compete com outras formas de comunicação via internet e o resultado é uma experiência ruim: a voz picota e o vídeo falha. Até por conta disso, o vídeo não é amplamente adotado”, afirma Roberto Dariva, diretor-geral da Code7.
Ainda segundo Dariva, as centrais de atendimento ao cliente serão centrais para a venda de produtos e serviços, o chamado e-commerce conversacional. E isso não necessariamente precisaria ser feito por um humano. O consumidor poderia conversar com avatares, tais como a “Lu”, do Magalu.
Para alguns setores da economia, a conversa com o consumidor via vídeo já não é uma novidade, inclusive no Brasil. Na pandemia, o número de consumidores que fizeram consultas médicas por vídeo rompeu a barreira dos 3 milhões de brasileiros até julho deste ano, segundo dados da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge). Além disso, já existem call centers exclusivamente dedicados à área de saúde que realizam videoconferência, e alguns deles funcionam em cidades de Santa Catarina.
A teleconsulta por smartphones, mais do que popular, já exibe bons índices de satisfação do cliente. O mesmo estudo da Abramge mostra que 90% dos consumidores estão satisfeitos com medicina a distância. “Na área de saúde, por exemplo, as teleconsultas serão cada vez mais comuns e necessárias, e as cirurgias robóticas a distância poderão se tonar uma realidade”, avalia Georgia Sbrana, VP de Marketing e Assuntos Corporativos da Ericsson para o Cone Sul da América Latina.

“Com mais velocidade, passaremos a ter uma experiência do consumidor baseada em interações com vídeos. Hoje, a largura de banda nos principais contact centers ou mesmo no cliente final é um problema”

Roberto Dariva, diretor-geral da Code7

Segundo momento: realidade virtual

Outra novidade que deve demorar um pouco para emplacar, mas na qual existem especialistas que apostam, é a massificação da realidade virtual com o 5G. Em um primeiro momento, ela seria uma novidade dentro da indústria da comunicação, mas, em pouco tempo, ela poderá ser utilizada por outras indústrias e pelo setor de entretenimento, pessoas poderão trabalhar em ambientes virtuais e até produtos e serviços (reais ou não) serão oferecidos fora da realidade física. Com o 5G, o seu uso poderia ganhar maior popularidade em qualquer lugar.
“O 5G transformará a sociedade. Mudará completamente a experiência que o consumidor tem hoje e significa muito mais do que simplesmente usufruir de mais velocidade na palma da mão. Teremos novas experiências relacionadas à realidade aumentada, novas experiências interativas e on-line para gamers (e novas soluções que poderão ser criadas por esse mercado), uma mudança na forma de assistir a jogos e a shows, por exemplo –será uma experiência muito mais interativa e imersiva”, afirma Georgia.
Um desses universos, inclusive, já existe e tem gerado debates sobre o chamado metaverso ou um universo digital em que as pessoas se relacionam das mais variadas maneiras. O Horizon, metaverso criado por Mark Zuckerberg e que deverá substituir o atual Facebook no futuro, surgiu justamente com a proposta de oferecer múltiplas experiências virtuais: jogar game com amigos, conhecer pessoas, trabalhar (já existe uma aplicação chamada Workroom no Horizon justamente para essa finalidade), fazer atividades físicas em ambiente imersivos e até abrir negócios específicos dentro desse ambiente, tais como criar uma agência de publicidade com foco nesse universo (o que alguns já chamam de social media VR).
No entanto, o Horizon não está sozinho nessa empreitada. A vTime é outra rede social com as mesmas características do Horizon e que tem chamado a atenção especialmente de asiáticos. Há, ainda, o Gather que, embora não seja uma experiência em realidade virtual, possui uma mescla de características do aplicativo Teams, da Microsoft, com um jogo de videogame. A ferramenta virou um hype entre as empresas digitais estrangeiras.
“Queremos o 5G o mais rapidamente possível. Será uma revolução na forma como as pessoas vão se comunicar. Hoje, por exemplo, a gente se vê por meio de uma tela. Quem sabe a gente não se encontra no meio virtual, por meio do metaverso. A gente tem que caminhar para isso”, afirma Celso Tonet, diretor de Atendimento e Call Center da Claro.
E o que o Brasil poderia contribuir para a popularização dos metaversos? O Brasil é um dos países que mais adoram uma rede social. De acordo com um estudo feito a partir de dados da Hootsuite e da We Are Social, o País é o terceiro que mais utiliza Facebook, Instagram, TikTok e outras similares no mundo, com uma média de 3 horas e 42 minutos por dia. Mais de 4,2 bilhões de pessoas utilizam redes sociais pelo mundo, o que representa 53,6% da população mundial.

“O 5G transformará a sociedade. Mudará completamente a experiência que o consumidor tem hoje e significa muito mais do que simplesmente usufruir de mais velocidade na palma
da mão”

Georgia Sbrana, VP de Marketing e Assuntos Corporativos da Ericsson  para o Cone Sul da América Latina

E tem ainda o IoT e a omnicanalidade

Em um futuro não muito distante – em que alguns apostam que antecederia a realidade virtual – está a massificação da internet das coisas a partir do 5G. E isso leva a uma questão importante: mais do que nunca, a omnicanalidade estará presente em nossas vidas.
De fato, ela já está presente na vida de muita gente. Uma pesquisa divulgada pela Cisco estima que a IoT irá movimentar cerca de US$ 19 trilhões até 2023, em um cenário em que a América Latina será responsável por US$ 860 bilhões e o Brasil US$ 352 bilhões.
E por que o 5G viabilizaria a IoT? De novo, o segredo é a alta velocidade e a baixa latência, justamente o que viabiliza a tecnologia.
Muitos consumidores utilizam smartwatches para monitorar frequências cardíacas e outras funções vitais. Normalmente, essas informações ficam armazenadas em um smartphone ou no próprio relógio. Com o 5G, todas essas funções poderiam ser transmitidas a um médico ou a uma inteligência artificial que poderiam antecipar o risco de uma parada cardíaca ou sugerir atividades mais adequadas ao biotipo.
Dessa forma, o envio de informações de sensores, caso do relógio, do smartphone ou mesmo da camiseta, poderia contribuir para uma percepção mais precisa do nosso corpo e de tudo ao nosso redor. Essa inteligência somente seria alcançada a partir de uma conexão de alta velocidade e constante.
Em outras palavras, as pessoas vão transitar constantemente entre os mundos digital e físico com o 5G. Não iremos abandonar em um primeiro momento a compra na loja, porém o 5G vai permitir novas experiências de consumos físicas, inclusive pagamentos touchless ou, quem sabe, humanless.
Ideias como a da loja Amazon Go podem finalmente sair do plano da prototipagem e massificar de vez. Além disso, as compras podem se tornar mais transparentes, evitando assim conflitos entre companhias e clientes. Saberemos, por meio da intermediação da tela de um smartphone ou do novo Google Glass (ideia que foi reativada recentemente pelo Google), sobre a origem de alimentos, a procedência, os ingredientes e outros detalhes que irão aumentar a nossa percepção de realidade. A realidade aumentada, conhecida no cinema como a visão do Homem de Ferro, teria o seu espaço na sociedade do 5G.

“Queremos o 5G o mais rapidamente possível. Será uma revolução na forma como as pessoas vão se comunicar. Hoje, por exemplo, a gente se vê por meio de uma tela. Quem sabe a gente não se encontra no meio virtual, por meio do metaverso. A gente tem que caminhar para isso”

Celso Tonet, diretor de Atendimento e Call Center da Claro

O 5G e a omnicanalidade

Mais do que dados, coisas conectadas também serão formatos novos em folha de comunicação com pessoas e máquinas. E aqui entra um tema vital: a omnicanalidade será uma realidade para todos.
A comunicação de quinta geração vai impulsionar o contato por diferentes canais, pois a vida das pessoas com a tecnologia será cada vez mais fluida. Tudo será como um smartphone. O consumidor pode começar a pesquisar sobre um produto em um assistente de voz, tirar dúvidas sobre o produto escolhido no carro e pode efetuar a compra a partir de um smartwatch – e tudo antes de a pessoa entrar em um escritório.
A fluidez de conexão, assim como acontece em filmes como Homem de Ferro, deve se materializar. E aí entra outro desafio: como juntar tudo em dispositivos conectados tão distintos – e até mesmo produzidos por diferentes fabricantes.
Entra em cena um velho e novo negócio: empresas de tecnologia especializadas em construir jornadas complexas e conectadas. Será que desta vez iremos enterrar a ideia de multicanalidade?

“Na questão energética, o 5G com
a IoT deverão resultar em uma redução sobre o consumo humano de uma maneira geral. Pode ser
até que governos criem leis sobre isso no futuro. A ideia é que espalhemos sensores sobre o consumo de água, luz e outros. Não há dúvida que seremos mais eficientes no cotidiano”

Fernando Moulin, professor, consultor de Marketing Digital de CRM e colunista de Tecnologia da Consumidor Moderno

Eficiência

Para Fernando Moulin, professor, consultor de Marketing Digital de CRM e colunista de Tecnologia da Consumidor Moderno, o 5G permitirá que a humanidade busque incessantemente a eficiência de tudo.
“Na questão energética, o 5G com a IoT deverão resultar em uma redução sobre o consumo humano de uma maneira geral. Pode ser até que governos criem leis sobre isso no futuro. A ideia é que espalhemos sensores sobre o consumo de água, luz e outros. Não há dúvida que seremos mais eficientes no cotidiano”, afirma Moulin.
Outro exemplo de coisa conectada beneficiada pelo 5G será o carro. Segundo expectativas da Business Insider Intelligence, o total de carros conectados deverá chegar a 77 milhões em todo o mundo até 2025.
No entanto, a ideia de conexão será bem diferente do que existe hoje. A central multimídia será o “core” de diferentes serviços que vão surgir com a conexão de quinta geração e que estarão à disposição do consumidor.
A ideia é que o veículo seja uma fonte constante de diversos dados, podendo informar se um carro funciona adequadamente, o que permitiria concluir que ele necessita de reparos urgentes. O veículo poderia, ainda, ser uma rica base de informações sobre o comportamento de uma pessoa no trânsito e seria decisivo para precificar de maneira personalizada um seguro auto.
Em outras palavras, o 5G será o ponto de partida para a customização sobre todos os serviços. O consumidor não seria reconhecido dentro de um determinado grupo social. Tudo poderá ser o que realmente é – e todos ganham com isso.

“Parte do nosso desafio hoje é mostrar os casos de uso possíveis com o 5G e as aplicações para os vários setores da economia e, assim, preparar desde já as oportunidades para quando a tecnologia estiver pronta”

Leonardo Capdeville, CTIO da TIM

Desafio: muitas antenas para o 5G

Após o leilão, o 5G entra em um dos momentos mais críticos: a implementação ou a montagem da infraestrutura.
De acordo com as regras, todas as capitais brasileiras e mais o Distrito Federal terão cobertura 5G até julho do ano que vem. Para as demais cidades com até 50 mil habitantes, a implantação vai ocorrer até 2028.
Para cumprir o cronograma, as empresas terão um longo caminho pela frente. Segundo Leonardo Capdeville, CTIO da TIM, existem três grandes desafios. O primeiro está relacionado à infraestrutura e trata da conexão entre a fibra e a antena. “É o que chamamos de primeira milha, as dificuldades encontradas para implementação especialmente pelas dimensões continentais e as diferentes realidades encontradas pelo País”, explica.
O segundo é a necessidade de regulamentação da Lei das Antenas. Hoje, de acordo com Capdeville, existem cidades com leis obsoletas e que não permitem a instalação de uma grande quantidade de antenas – o que é fundamental para o 5G.
“O 5G tem como principal característica a necessidade de uma grande quantidade de antenas. No 4G, funciona bem uma antena no alto de um prédio a cada 300 metros. Quando falamos do 5G, é preciso ter antena em todos os prédios de uma rua, um ao lado do outro, ou seja, tem que ter muita antena. Então, a quantidade de investimento em infraestrutura não é pequena”, explica Basílio Perez, conselheiro e ex-presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).
São Paulo, a maior cidade do País, é um exemplo de cidade que possui uma legislação restritiva para a instalação de antenas. A Câmara Municipal da capital paulistana discute há anos uma mudança na legislação, mas o debate está parado há meses.

Terceiro desafio: o ecossistema

O terceiro desafio, segundo o executivo da Tim, está relacionado ao ecossistema: tudo precisa ser favorável ao desenvolvimento do 5G. Um deles é o próprio smartphone. Hoje, existem poucos aparelhos no mercado que permitiriam esse tipo de conexão, e todos são vendidos a valores que poucos consumidores poderiam pagar.
“O terceiro desafio está relacionado ao ecossistema: para aproveitar todos os benefícios do 5G, é preciso conciliar cobertura de rede, dispositivos com preços mais acessíveis (smartphones, por exemplo) e aplicações que façam usufruto dessa rede. Parte do nosso desafio hoje é mostrar os casos de uso possíveis com o 5G e as aplicações para os vários setores da economia e, assim, preparar desde já as oportunidades para quando a tecnologia estiver pronta”, explica.

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