Diversidade não é tendência

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PASSEI O ÚLTIMO ANO VENDO a palavra diversidade brotar nos briefings de pesquisa para grandes marcas com as quais trabalho. Afinal, não importa se você vende sabonete ou seguros de carro, a “demanda por mundo plural e diverso” vem batendo à sua porta. Segundo uma pesquisa feita pela PwC no ano passado, 76% dos funcionários de empresas e organizações disseram que o tema é um valor ou uma prioridade, porém, só 5% acreditam que as iniciativas do lugar em que trabalham são bem-sucedidas.

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Sabemos que o tema é importante, a preocupação vai dos consumidores até os investidores. Já é pauta da Faria Lima. Há um consenso de que empresas que geram valor para a sociedade serão as mais lucrativas no futuro. Mas por que na prática ainda estamos tão aquém do esperado?

Me arriscaria a dizer que parte dessa dificuldade em tirar a palavra diversidade da aba do site das empresas e levar para o cotidiano está em uma visão ainda muito superficial do tema. Isso fica claro já nas perguntas que nos chegam nas encomendas de pesquisa de mercado. “O que fazem e como vivem tais grupos minoritários?” Muitas marcas esperam consultorias que mais parecem sinopse do Globo Repórter desbravando povos exóticos de um lugar distante. Há uma expectativa de que se entregue um slide em formato Canvas com frases de efeito que resumem gostos e ideologias.

A questão é que, se estamos falando de diversidade, a gente deve buscar justamente como discordam e se diferenciam determinados grupos identitários e como não reduzi-los a personas. Buscar diversidade é justamente estar em busca de mais perguntas do que respostas. Botá-la em prática é justamente estar aberto para desaprender sobre coisas que antes nos foram ensinadas. Não se trata de uma trend de mercado; é uma questão política e de cidadania.

Enquanto o C-level de grandes empresas olhar para questões de diversidade apenas como uma estratégia para se livrar de possíveis cancelamentos, todos só saem perdendo. A representatividade vai muito além de um checklist no qual se adiciona na foto da firma uma pessoa de cada cor, origem, tipo de corpo ou orientação sexual. É mergulhar em todas as narrativas e potências de vida que essas pessoas trazem. Isso demanda conversa, conflitos e debates, mas também ótimas soluções para o mundo vigente. 

Escrevi esta edição da coluna em primeira pessoa para pontuar meu lugar de fala de alguém que reconhece que ainda tem muito a aprender e a escutar para transformar. Afinal, diversidade é necessidade.  

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