Como diria Cartola, o mundo é um moinho

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MESMO AS PESSOAS QUE VIVEM falando em conceitos como VUCA, BANI, até elas, seguramente, não imaginavam o que seriam os reboliços desta pandemia. A mudança está acontecendo muito mais rápido do que somos capazes de capturar e decifrar.

Buscar ser preditivo neste momento é até ingênuo. Costumo pensar inovação de uma forma muito mais aterrada: Quais novos hábitos, comportamentos e expectativas já estão se consolidando na sociedade? Como podemos atuar e gerar valor neste novo contexto que já se apresenta? Responder a estas perguntas, a meu ver, é a forma mais relevante de prever o futuro: participando dele no presente.

No varejo, como em qualquer área, essa lógica também se aplica. Antes de falar em “tendências”, já existem várias “ocorrências” visíveis que merecem atenção.

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1. “Olhar para dentro” se torna cada vez mais universal. O bem-estar físico, mental e espiritual se mostra uma busca ainda mais presente, em função de isolamento forçado, crises relacionais, questionamento do trabalho, fadiga digital, entre outros fatores. O varejo pode oferecer produtos, serviços e experiências que permitam às pessoas coletivizar o bem-estar, fugir da rotina urbana e desacelerar, e reatiçar os sentidos, tão atrofiados na pandemia.

2. Os espaços se ressignificam completamente. Nossas casas viraram escritório, creche, academia, escola. O efeito disso já é visível: pessoas querem adaptar ou transformar suas casas em mais do que apenas casas, da mesma forma como procuram encontrar espaços e experiências externas que também sejam criativas. Fica a pergunta: Lojas, restaurantes, cinemas e parques serão apenas o que sempre foram?

3. O desejo represado e a “Yolo Economy” – economia do Você Só Vive Uma Vez. Logo após o fim da Primeira Guerra e da Gripe Espanhola, aconteceu no Brasil o “Carnaval do Fim do Mundo”, o maior de todos até então. Primeiras “tréguas” durante a pandemia atual repetem esse enredo, já mostrando movimentos acentuados de consumo. Com os devidos alertas a um modelo insustentável de consumo desenfreado, o varejo pode ser um “enabler” para que as pessoas resgatem a potência das relações consigo mesmas, os outros e o mundo.

4. Os desafios do mundo exigem protagonismo. O varejo deve participar da evolução da consciência coletiva, fruto da pandemia. Uma das formas de fazer isso é se “decolonizando”: apoiando empreendedores, marcas e produtos feitos por negros, periféricos, queer, indígenas, PCDs e outras minorias e oferecendo produtos inclusivos no uso e uma logística que chegue a locais mais remotos. 

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