AUTENTICIDADE É A MERCADORIA MAIS VALIOSA DE UMA MARCA

Para o neurocientista Beau Lotto, as experiências experienciais ajudam as marcas a conhecer a maneira pela qual impactam os consumidores

Por Tempo de leitura: 3 minutos

VOCÊ SABE sabe o que o leva a ter determinada atitude? E as suas escolhas, como se dão? Para o neurocientista Beau Lotto, compreender a estrutura de funcionamento do cérebro pode ajudar nessas respostas. Aliás, segundo ele, em termos de comportamento do consumidor, o entendimento do cérebro pode ajudar a prever o que as pessoas sentem e acreditam.

Fundador da Lottolab, estúdio de arte híbrida e laboratório de ciências dedicado a compreender o funcionamento do cérebro, o trabalho do neurocientista possui parâmetros importantes que conectam adaptabilidade, criatividade e inovação. “A inovação é uma linguagem comum para adaptabilidade. Ambas exigem um equilíbrio entre criatividade e eficiência.” Confira a entrevista exclusiva de um dos mais influentes neurocientistas da atualidade, que também é um dos convidados do CONAREC 2021.

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Consumidor Moderno – Como a ilusão de ótica e a percepção dos padrões humanos podem influenciar as escolhas do consumidor?

BEAU LOTTO – As ilusões de ótica demonstram que o contexto é tudo. Quando se trata de escolha do consumidor, é preciso entender que as pessoas também são contextuais.

CM – Compreender o funcionamento do nosso cérebro é uma forma de induzir a pessoa a algum comportamento desejado? Por favor, dê-nos um exemplo.

BL – Compreender a estrutura de funcionamento do cérebro nos ajuda de muitas maneiras. Tratando-se de comportamento do consumidor, pode nos ajudar a prever o que as pessoas sentem e acreditam, sem a “confusão” de essas mesmas pessoas expressarem quais são esses sentimentos e crenças. Isso é importante, pois a maioria de nós não sabe por que fazemos o que fazemos.

CM – Como suas “experiências empíricas e experienciais” são desenvolvidas para encorajar os consumidores a se envolver com as marcas?

BL – O mais essencial para uma marca é que ela realmente tenha um impacto positivo na vida das pessoas. Nossas experiências experienciais ajudam as marcas a conhecer a maneira pela qual impactam os outros, bem como a evidência disso. Ambos são ativos de marketing altamente valiosos.

CM – O que sua parceria com o Cirque du Soleil trouxe como experiência, percepções ou insights que podem ser observados por empresas de consumo?

BL – Nosso trabalho com o Cirque permitiu que eles se apropriassem de uma “verdade” que é essencial para o bem-estar humano: a admiração. Fazer isso não apenas aprofundou o envolvimento com seu público, mas também aprofundou o entendimento de seu próprio negócio e, portanto, a estratégia de comunicação contínua sobre seus negócios.

CM – Do ponto de vista da neurociência, que dicas você dá para as empresas melhorarem a experiência do cliente?

BL – As empresas podem melhorar a experiência estando verdadeiramente a serviço do cliente e lembrando-se de que o cérebro cria significado por meio de suas experiências.

CM – Uma das principais preocupações das marcas hoje é gerar uma boa experiência para o cliente. Devido à nova realidade on-line definida pelos algoritmos, como a experiência do cliente é afetada? Quais são os desafios das marcas?

BL –  As marcas têm muitos desafios. O mais importante é saber em que negócio elas estão engajadas. O Cirque não é um negócio de circo. Eles estão realmente no negócio de admiração. Saber disso é essencial para tudo o que fazem, principalmente a experiência e a comunicação que oferecem aos seus clientes. Uma vez compreendidos, os algoritmos podem ser usados para interagir com seus clientes de uma forma mais significativa.

CM – A realidade dos últimos 20 meses trouxe uma forte aceleração da digitalização, principalmente em países que já possuem algum grau de imersão digital. É possível dizer que, dessa forma, os algoritmos podem reforçar nossos pressupostos e premissas e nos tornar conformistas e avessos a tentar coisas novas (e marcas)?

BL – Temos tendência para nos conformar. Como tal, os algoritmos reforçam o que é mais familiar em nossas vidas. Mas, da mesma forma, eles podem ser usados para fazer o oposto. Mas isso requer mais energia e, portanto, normalmente é evitado.

CM – Como fazer o consumidor sair da bolha e buscar novas alternativas? É possível vencer os algoritmos? Como?

BL – Você não pode sair da bolha de algoritmos. Até mesmo as percepções que você cria em sua própria mente. Portanto, não há como sair de um algoritmo. A questão é até que ponto você tem “controle” sobre os algoritmos que usa. Ter consciência de que você está se comportando algoritmicamente é o primeiro passo para definir sua própria bolha.

As empresas podem melhorar a experiência estando verdadeiramente a serviço do  cliente e lembrando-se de que o cérebro cria significado por meio de suas experiências”

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