Ao tirar seu produto ou serviço da frente, o que sobra?

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HÁ MUITO TEMPO, os mandamentos do marketing impuseram o dizer, e não o fazer, como linguagem. Seduzir e convencer as pessoas seria a bala de prata (com o perdão do, até certo ponto adequado, termo bélico).
Comprar espaços para se autopromover, contratar criativos caçadores de sacadas, usar as ciências comportamentais para explorar os desejos e as fragilidades das pessoas, tudo em busca de “abocanhar” o mercado (com o perdão do termo antropofágico), dentro de um contexto predatório de competitividade, pautado pela escassez. Este foi e ainda é, em grande medida, o jogo das marcas.
Este jogo egocêntrico contribui para inúmeros problemas complexos, como depressão, violência, obesidade infantil, trânsito, poluição, entre tantos outros. Isso sem falar na enorme quantidade de produtos e serviços que sequer sobrevivem muito tempo no mercado, pelo simples fato de não serem relevantes.

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E é sobre relevância minha reflexão em torno do marketing do qual precisamos: que compartilha valor. Marcas devem ser protagonistas. “The doing is the telling.”
Afinal, são muitas as tensões que nos cercam. Carecemos de diversas soluções para nossa perpetuidade: cultura, saúde, saneamento, água, educação, infraestrutura, renda, diversidade, cidadania, mobilidade, mudanças climáticas, e mais um gigantesco et cetera. Marcas podem e devem articular caminhos para os desafios do mundo. E essa, exatamente, deveria ser sua principal plataforma.
Ao participar de diálogos e soluções em torno de tensões sociais (de forma substancial, legítima, amparada por seu propósito), as marcas passam a ocupar espaços conscientes antes não ocupados e a gerar uma série de associações positivas que podem levar à preferência das pessoas. Uma preferência construída sobre bases muito mais profundas e perenes que as do obsoleto “brand attack”.
Por isso, diante do risco da alienação e também da urgência dos problemas do mundo, é preciso que as marcas se perguntem: ao tirar meu produto ou serviço da frente, o que sobra? Nesta resposta reside o que há de mais valioso e fértil em uma marca.

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